Tuesday, May 5, 2009

OUR HOUSE IN THE MIDDLE OF OUR STREET

Friday, March 27, 2009

[ Godot é um espelho ]



Assente-se a falta de uma natureza arrebatadora
e dura para os sentidos. O rigor do obscuro nos olhos
e a imensidão toda à minha volta esmagando
a massa corporal no chão. As olhos semi-cerrados
e a respiração moldada pelo vento frio na pele
que me lembra: - estou vivo. Assenta-se a falta.

Se eu hoje for o mar na tua cabeça
e o conseguir fazer sem os pés no ar
não desfaleço e godot é um espelho.

Monday, March 23, 2009

[ corpo estranho ]

Tuesday, March 10, 2009

a energia necessária

o nervo e o músculo do homem coabitam no interior da carapaça
e das ideias em simultâneo e isoladamente. o homem só é só
se a energia se esgotar e estancar os canais do líquido imaculado
da vontade. o fluido puro é de produção contínua, mas pode descender
do homem, pela sudação, ejaculação ou pela forma cristal da lágrima,
a doses controladas claro está, senão a excessiva acumulação
explode o corpo receptor.

Tuesday, March 3, 2009

in Fluxo

encontramo-nos na palavra coração
como se ela nos fosse sair
todos os dias pela boca

Wednesday, February 25, 2009

in Fluxo 55. [still]


Monday, February 23, 2009

[ ]

Procuro o Silêncio

Conduzo quase em automático. [Penso]
Saio com o carro por uma cortada que leva
ao meio de um montado. Travo a marcha
junto a uma árvore imponente, cuja majestade ofusca
[e desvia a atenção de outras que possam estar ali por perto]. Vou
à mala do carro e puxo uma manta. Ajeito-a
junto ao tronco do chaparro. [Vejo o sol a rasgar
por entre a densa folhagem] Procuro o Silêncio. Estou só. [Oiço-me
apenas a mim] Posso enfim alimentar-me da minha própria solidão. [E é
neste espaço e tempo que me tranquilizo] servindo-me dela
para continuar. [Continuar como uma necessidade].O tempo
passa e as cores esvaem-se [seguindo para a noite].
As pequenas luzes,faróis da noite, começam a salpicar o céu.
Procuro conforto [acendo uma fogueira] com pequenos ramos secos
que vão estalando, quebrando o silêncio.Fito o lume [e as espirais
das chamas], até deixar de ouvir o seu crepitar.[Procuro o silêncio].Sigo
a noite, guiado pelas estrelas. [as sombras tentam confundir-me]. Questionam
-me. Recuso responder. O meu silêncio persegue respostas
[em movimentos contínuos] mas não as dá. No nevoeiro
as respostas podem ser [confundidas como] definitivas. As sombras
denunciam sempre a existência de algo. [Se é, tem sombra]. O que não existe
passeia como num sonho [a sua não existência]. Procuro o silêncio.

Tuesday, February 17, 2009

re Fluxo

por vezes sinto-me a morrer. sei que sim.
que morrerei um dia. mas por vezes sinto-me
a morrer. é nesses dias, que me apetece
viver. fazer. acontecer. por vezes
os dias são pequenos. curtos. os dias são todos
do mesmo tamanho. mas por vezes sinto
dias que me são mais curtos. é nesses que me sinto
vivo. faço. aconteço. e alí a linha do horizonte. não consigo
encurtar esse espaço entre mim, e a linha do horizonte. ao alcance
no mais absoluto silêncio. não quero fazê-lo no dia da minha morte.
no mais absoluto silêncio da minha morte.

Tuesday, February 10, 2009

in Fluxo 77. [Still]


[ O REFLEXO COMO NATUREZA MORTA OU APENAS A SUA REPRESENTAÇÃO? ]

Monday, January 26, 2009

in Fluxo 55. [still]



[ INÍCIO MAResia VENTO CABELOS OLHOS SEMICERRADOS ENCHE HOMEM FIM ]

Friday, January 16, 2009

[ e se um dia quisesse fotografar como alguém ]


PAULO NOZOLINO

“Não posso salvar uma época.Limito-me a constatar a sua perda, sem nostalgia, resistindo à desmemoria, à frivolidade e ao ressentimento.Sinto-me a viver um pós-guerra qualquer, onde alguns homens tentam reencontrar a sua dignidade, escutando o grito profundo que há dentro deles.A tempo de compreender a vida, antes de a perder.”
Paulo Nozolino, Janeiro de 2005

por ocasião do retorno à exposição mediática, o fotografo que conheci através de imagens de Al Berto, é a referência fotográfica que tenho no que diz respeito a "e se um dia quisesse fotografar como alguém".
Há outros fotografos aos quais admiro a obra e que consigo estancar por momentos em frente dos seus trabalhos (Jorge Molder, Helena Almeida), mas só diante das imagens que produziu, penso "- é isto!".
O resto que há para dizer, deixo-o para outros. Limitar-me-ei para já, a olhar.

Wednesday, January 14, 2009

...



[ urbanoides ]



[ A falência do chão que pisas, constitui a espaços uma dificuldade. Será a solução caminhar lento, com passos certos? Persiste o enigma dos homens engolidos pela terra.]

Tuesday, January 6, 2009

in Fluxo 44. [still]






2008 carlos veríssimo

[ DA FUGA A LINHA SE PUDERES AGARRA ME O SOL QUANDO NASCER ]

Thursday, December 18, 2008

{ }


som ali

Wednesday, December 17, 2008

(I aint lyin)

Friday, December 12, 2008

in Fluxo 88. [still]



[ CHÃO ESGUELHA OCASIONAL LUZ MORTA NATUREZA ]

Thursday, December 11, 2008

[ 100º aniversário de Manoel de Oliveira ]




Sunday, December 7, 2008

[ carne ]

Sunday, November 2, 2008

*

clicar sobre foto para aumentar tamanho


escrita de outono e amor em 17 sílabas sobre fotografia de ff

Tuesday, October 28, 2008

[ The Passenger ]

[ The Passenger ]

Thursday, October 23, 2008

Segredo

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar


Maria Teresa Horta, Minha Senhora de Mim, 1971


surripiado ao CSA

Tuesday, October 21, 2008

THE GARDEN

Monday, October 20, 2008

in Fluxo 96. [still]

Tuesday, October 7, 2008

in Fluxo 97. [still]

Friday, October 3, 2008

in Fluxo 98. [Still]

Monday, September 22, 2008

in fluxo 99. [still]

Friday, August 8, 2008

parabéns :)

Thursday, August 7, 2008

[ ]

Monday, July 21, 2008

[ descendente e em seguida na transversal ] como?







c.2008 jardim da sereia-coimbra

Wednesday, July 9, 2008

[ Clock ] oh time time time time

Friday, July 4, 2008

in Fluxo 25. [still]


carlos veríssimo 2008

Tuesday, July 1, 2008

[ ah pois é ]

Wednesday, June 18, 2008

in Fluxo 24. [still]


c. 2008

Dia da criação da noite por Carlos Nogueira


"estavam os homens as águas os animais e as terras
cansados de luz e de não haver noite
levantei as mãos
fiz rodar a terra para que se retirasse o sol
enrolei os dedos nas últimas fulgurações
teci com os cintilantes fios
a misteriosa linguagem dos astros

depois
fui pela escura abóbada
estendi a fantasia tapeçaria
para que lá em baixo ninguém perdesse o seu caminho
e nela pudesse adivinhar o doloroso humano destino

a noite ficou assim tão habitada quanto a terra
os homens podem hoje sonhar com aquilo que mal entendem
e quando o medo atribuiu nomes àquele luzeiro
dei por terminada a obra
cortei os fios como se cortasse um pedaço de mim
fui para outro hemisfério adormecer o dia
construir a pirâmide o quadrado o círculo a linha recta
as cores do mundo
e dar vida a outras incandescentes criaturas"

in O Medo

Tuesday, June 17, 2008

[ BLISTER IN THE SUN ]

Friday, June 13, 2008

120 anos do nascimento de Fernando Pessoa


Retrato do Poeta Fernando Pessoa, Almada Negreiros
1954

Wednesday, June 4, 2008

sous le sable

Wednesday, May 28, 2008

in Fluxo 21. [still]


c. 2007

Monday, May 26, 2008

[ * * * ]



(...)

E enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


Entretanto o tempo fez cinza da brasa
outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.


Sérgio Godinho

Tuesday, May 20, 2008

O sonho e [ O sonho dos outros ] e os sonhos



PARA CANTAROLAR/ASSOBIAR NA PAUSA PARA CIGARRO

Monday, May 19, 2008

... to get things done

Thursday, May 15, 2008

[ Vertigem ]

Wednesday, May 14, 2008

le mensonge et l’indifférence du monde qui nous entoure*



e ali
15 de Março a 8 de Junho - CAV - Coimbra

Tuesday, May 13, 2008

memo

Monday, May 12, 2008

[ Valse de Melody ]

Sunday, May 11, 2008

in Fluxo 20. [Still]


OBLÍQUA SOMBRA À VERTICALIDADE EM CAOS OBLÍQUO COISAS NATUREZA HUMANA E -DA-NATUREZA-NATURAL

Saturday, May 10, 2008

Valsa quase Antidepressiva

Dança comigo a primeira valsa da Primavera
dança sem sonhos, esquece as promessas
ninguém nos espera.

Já enchi os dias de lutas vazias,
estou gasto, cansado, dormente.
E um pouco de sexo ou muita poesia
ainda não fico indiferente.

Fala comigo na palavra falsa da fantasia
chovem amigos na festa da praça no meio dia.
É certo que as flores parecem maiores
que toda a virtude do mundo:
com um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda me sinto profundo.

[Se este mundo fosse feito para ser doce, eu seria doce, fosse eu quem fosse].

Foge comigo na ultima volta da maratona
Nada comigo no lago indeciso de metadona
Já deixei as asas na cave da casa
e as chaves no fundo do mar:
com um pouco de sexo, ou muita poesia, ainda nos vamos casar.

Wednesday, May 7, 2008

] ao fundo [


Passámos esse Inverno a respirar. Não quis recear pelo que não receei e passei a chuva a olhar-te o sono. Eram os tempos das estações. Agora, sem demarcações óbvias misturam-se os olhos ao calor e ao frio. Passamos – agora, assim – não incólumes o presente na impertinência do tempo.

para ti

Tuesday, May 6, 2008

in Fluxo 19. [ still ]



[ QUASE ESTADO D´ARTE REFLEXÃO QUASE MORTA NATUREZA QUASE MORTA TAMBÉM ]

Monday, May 5, 2008

[ Silence is Sexy ]

Friday, April 25, 2008

[ o 25 de Abril devia ser quando o homem quisesse ]

um cravo na lapela

QUEIXA DAS ALMAS JOVENS CENSURADAS
Natália Correia
(Album "Mudam-se os tempos mudam-se as vontades" (1971 - J.M.Branco)

Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
Mais um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma de uma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
Com as cabeleiras das avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa historia sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Somos vazios despovoados
De personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco
Dão-nos um pente e um espelho
Pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
Um avião e um violino
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida, nem é a morte

Thursday, April 24, 2008

[ worst porno film ever ]



Para mim, o mais chocante, é mesmo quando não respeitam o "STOP".

Wednesday, April 23, 2008

[ e moedas de €, quantas vezes dancei à grande esta música nos "Dias Atlânticos" lá na terra natal ]

Tuesday, April 22, 2008

[a puta da] inquietação

e um certo formigueiro no corpo. a ansiedade alinha pelo tempo.
mais um tic tac e está quase. sei já porquê!
o cansaço dos últimos dias transferiu-se
da cachola para o corpo e a sua massa gorda
tem o peso das palpebras a palpitar nervosamente.

agora derrete.


Monday, April 21, 2008

nov’idade

A imagem "http://www.manraytrust.com/Images/dadaessay.jpg" não pode ser mostrada, porque contém erros.

Friday, April 11, 2008

[ Alabama Song ]

Monday, April 7, 2008

Uma má notícia é o contrário de uma boa notícia

Os Beirut cancelam os concertos de verão, incluindo FMM Sines, e os Coliseus de Porto e Lisboa.

Pode-se ver nos "Shows" e em "News"

[ ]



Becoming Light, de Bill Viola
2005
Color video on plasma display mounted vertically on wall

photo: Kira Perov

Thursday, April 3, 2008

[ Dimensions of Dialogue I ]



JANS SVANKMAJER

[ Dimensions of Dialogue II ]



JANS SVANKMAJER

Tuesday, April 1, 2008

[A Couple of Differences Between Thinking and Feeling]



Angus Fairhurst
"A Couple of Differences Between Thinking and Feeling II"
2003
© the artist Courtesy Sadie Coles HQ, London

Exposto na Tate Galery no âmbito da exposição "In-A-Gadda-Da-Vida" com Angus Fairhurst, Damien Hirst e Sarah Lucas

ps: Titulo da obra dedicado a quem procura caminhos pensando. A essa pessoa especial.

Também uma homenagem ao autor, que foi encontrado morto aos 41 anos.

pré Fluxo


Orson Welles, 1970

Monday, March 31, 2008

silêncio e este sorriso

Friday, March 28, 2008

Vox .3 [Psicofisiologia do medo/morte]

17. [o temor a deus é a consciência dos brutos]

Vox .2 [Psicofisiologia do medo/morte]

20. [se despertas e a beleza à tua volta]

Tuesday, March 25, 2008

[ Cadências ] Angel

Monday, March 24, 2008

[ Sem título ]

Oh senhor, não posso fazer linguiças? Não não não é perigoso?
Não não não, não posso fazer um furo, para tirar água p´rá horta, porque é ecologicamente desastroso. Mas senhor e os campos de golfe não lhe parecem perigosos? – ecologicamente merdosos?
Não posso ter um forno, não posso fazer pão, não posso criar animais, isso é perigoso – caso de saúde publica. E como o quê? Produtos certificados? Não posso que é perigoso? Porque não faz um cartaz certificando “Este produto não se encontra certificado, só consome quem quiser à sua responsabilidade.” Não pode ser que é caso de saúde pública? E se morrer à fome, que doença me diagnosticam? Mas se tiraram daqui o hospital, não posso morrer do que quero?
E não posso fazer queijos? Tenho de jogar a fruta fora? E deitar o leite ao rio? Deitar o peixe ao mar? Mas agora que está morto? A quota? Que quota? A mim ninguém me disse que tinha de pagar uma quota, nem sabia que era sócio.
Não posso ter a horta? Arruína a paisagem? Para quê? Uma estrada? Um acesso de importância vital?
Depois fazem jardins e parques infantis? Não posso apanhar peixe? Tenho de ir comprar ao mercado por 4 vezes mais do que o pescador vende na lota? Nem percebes, nem amêijoas, só com licença? E quem lhe deu licença a si, para passar outras licenças?
Mas aqui não posso cultivar? Não posso fazer uma casa? Mas o terreno é meu, já era do meu avô? E os hotéis à beira mar? não lhe parece perigoso? E se os Ingleses, Irlandeses e Alemães caiem todos à águas, não lhe parece ecologicamente desastroso?
A capoeira das galinhas? Perigoso? Coelheiras? E as descargas nas ribeiras?

Oh senhor, se tiver fome. Posso ir bater à sua porta? Não pode está ocupado a governar o pais. Mas quero pão. Dê-me pão. Não posso fazer pão, não me deixam.
Quero pão! Senhor, onde está o pão, que Quero PãO, senhor, QUERO PÃO!

Friday, March 21, 2008

Vox 01. [ oração ]

Oração do dia da Poesia

poema de carlos veríssimo
recita/oração por margarete e carlos

Wednesday, March 19, 2008

Here they come [ The Dogs of Lust ]



HEAT

NOTA: TODOS OS FERIADOS SÃO SANTOS!

[ Do dia do pai ]

Excerto lido pelo pai.
Do livro "A Estrada" de Cormac McCarthy.

Ouve-se clicando aqui

e mais McCarthy de ontem às 2h45m da noite/madrugada.

que se ouve clicando aqui

feliz dia ao feliz pai de feliz filho

Tuesday, March 18, 2008

[ Mingua ]



Julião Sarmento
Missing, 2004
Mixed media on canvas
195 x 150 x 6 cm

-----------------------------------------------------------

à mingua;
a ausência;
penso em ti de manhã ao acordar;
penso em ti à noite antes de dormir;
alguma angústia;
vejo coisas que queria que visses a meu lado;
que visses a meu lado;
que sentisses a meu lado;

é isto a saudade?

leio o livro que leste e deixaste para mim.

Sunday, March 16, 2008

[ lateral ]


As pessoas estavam sempre a preparar-se para o futuro. Eu não acreditava nisso. O futuro não se estava a preparar para elas. O futuro nem sabia que elas existiam.

in A Estrada de Cormac McCarthy
tradução de Paulo Faria
Relógio D'Água, Editores
2006



fotografia de Carlos Veríssimo

Friday, March 14, 2008

fuga. meio. obsceno. lateral. caminho. dia.



Mary, de Bill Viola
2000
Video and sound installation

Thursday, March 13, 2008

re Fluxo 14. - Referências a[o] nada

REFERÊNCIAS A[o] NADA
2005 Carlos Veríssimo

escolhidas de forma não aleatória

Ref: 009/129 (sem assunto)
Mergulhado
em água quente, todo
- o conforto
a angústia de perceber
ao fim de um tempo
que não se consegue
respirar.


Ref: 061/129 (sou a morte)
contrasto com o terreno
que piso
no entanto
começo a confundir-me
com o ar

assumo uma palidez
mental.

Só um coração que teima
em bater
me confere
cor terrena.


Ref: 095/129 (sou a morte)
Procuro o silêncio.

Memória Descritiva:
A visão do silêncio enquanto angústia
transformada em réfúgio
as suas formas em movimentos quotidianos
que permitem a
fuga
e a
aproximação
do indivíduo, a si mesmo.

não há uma forma objectiva de ver,
ouvir ou sentir
o silêncio.

é uma parte de cada um de nós
talvez a parte mais significativa
da formação da individualidade.


Ref: 098/129 (sou a morte)
indivíduos que se notam no meio
de outros, na multidão
pois saltam para voids mentais
no seu percurso quotidiano
procurando o silêncio

nesse silêncio está o seu espaço
no mundo
leap into the void *(1)

*(1) Leap into the void - Yves Klein


Ref: 104/129 (sou a morte)
sigo, caminho paralelo
ao que devia seguir.
a qualquer momento
consigo passar para o lado
tão curta é a distência entre as linhas.

do outro lado, um animal que não conheço
caminha igualmente, com um guizo.
guia-me nos dias em que a visão turva
ou a mente se torna pesada.

há já alguns dias que oiço o guizo
o que me inquieta, sem perturbar.
receio ter-me afastado demasiado da guia.

desejos e pensamento que me correm
que a linha esteja ali a um passo
que o animal tenha morrido
ou que apenas tenha ficado para trás
cansado.

o que outrora foi a confiança
de poder retornar o meu caminho
sempre que quisesse
agora é medo até de ver
quando o nevoeiro se dissipar.


Ref: 110/129 (sou a morte)
a dor
- surpreende o espectador.

o indivíduo espectador da vida
é supreendido constantemente
sem objectos, objectivos

está como morto
limita-se a observar

ao indivíduo espectador da vida
é infligida dor
surpresso, descobre que está vivo.




re-fluxos


I Have it All, Tracey Emin
-> singelo link com links

Wednesday, March 12, 2008

[Black Flowers ]



"and the words go la la la"

YO LA TENGO

[ You can have it all ] but, yo la tengo



YO LA TENGO - You can have it all - Fuji Rock Festival 2000

Tuesday, March 11, 2008

re Fluxo 13. - Referências a[o] nada

REFERÊNCIAS A[o] NADA
2005 Carlos Veríssimo

escolhidas de forma não aleatória

Ref: 011/129 (sem assunto)
a vida inexistente
que se perde

nas palavras

o desejo que aconteça - porque tem que ser
o mais rápido possível

nas palavras.


Ref: 021/129 (sou a morte)
fixar um ponto
envolvendo-te
fechando o horizonte
sobre ti.


Ref: 118/129 (sou a morte)
as campas cheias de flores
artificiais
como as vidas que recolhem
neste baldio
onde as papoilas
que são silvestres e negras
espoliadas da sua cor rubra
gasta em sangue
pelos monstros da guerra.


Ref: 088/129 (sou a morte)
encosto-me à loucura
para me chegar
a ti - a mim.


Ref: 123/129 (sem assunto)
a segunda metamorfose da borboleta
- antes lagarta, agora letra.
na extremidade colorida da palavra
dá-se sob o novo nome da
metamorfoGe
da agora borboletRa.

absorver

Bottles wall, Friedensreich Hundertwasser
surripiado ao CSA

Monday, March 10, 2008

turn up the volume

re Fluxo 12. - Referências a[o] Nada

REFERÊNCIAS A[o] NADA
2005 Carlos Veríssimo

escolhidas de forma não aleatória

Ref: 001/129 (Sem assunto)
Abandono as palavras
e torno-me um número

o número das traições
às minhas convicções.


Ref: 002/129 (Sem assunto)
O ser mecânico morre
quando fecho as válvulas
onde circulava o fluido
vital

a sua existência era possível
apenas por suporte artificial.


Ref: 005/129 (sou a morte)
Estou vivo
e manifesto-me

na recusa de carregar
o Silêncio

re: Isso bastasse e não faria sentido
um dia morrer.
fwd: E faz?
re: É para isso que se nasce?
fwd: Morreste então. à nascença.


Ref: 007/129 (Sem assunto)
Ouve-me!

O importante, aqui
não são as palavras

mas
o que não te quero
dizer.

re: (Conteúdo, o vazio)
fwd: Enchi alguém
de nadas.


Ref: 023/129 (sou a morte)
O relógio diz:
- A manhã vai a meio.
[o dia] contudo ainda vai
escuro.
Hoje, ainda não amanheci.
das vestes negras
que não ergo
lamentam-se os dias.


Ref: 030/129 (sou a morte)
meticuloso
separo os medos
inscrevo-os num caderno quadriculado.
os espaços vazios preenchidos
delimitados
delineados no rigor matemático
da morte
onde acaba e começa
o medo.


Ref: 114/129 (sou a morte)
na sua cama líquida
onde se debate toda a noite
para não se afundar - no sonho
o rapaz quando se deita
sabe, que amanhã
acordará mais cansado.

in Fluxo 18. [ Still ]


co-produção de c.e Margarete 2007

[ DEGRAUS SUBIR SUBIR SUBIR DEGRAUS SUBIR DESCANSAMOS DEPOIS ]

Saturday, March 8, 2008

Facto diverso

para o Nuno
a propósito do concurso nº1


Discretamente fui ontem almoçar
ao lado do meu tumulo
levei para o acto um ramo de papoilas
que guardava lá em casa há cerca de oito anos
para qualquer momento circunstancial
(sempre me considerei digno e respeitador
dos insultantes bons costumes)

Lá estava gravado na pedra de Estremoz
EUROPA – MAIS UM DIA
era certo e fora um trabalho bem eficiente
em elzevir escolhido e sem defeito

Sentei-me sempre tive esse costume
e fiquei a olhar inquisitivo para a Europa
donde nunca consegui sair
mesmo quando pareço estar remotamente longe
fiquei a olhar para São Paulo
fantasma búlico mal traduzido do americano
que se apaga triste e sem figura
com a presença leal e muito nítida
de Londres de Paris de Moscovo
de Lisboa menina sorridente e milenária

e sentámo-nos

à esquerda Cesariny
recém-chegado de beber uma cerveja no Inferno
à direita o Erol Isin
recém-fugido dos lobos de Istambul
onde para urinar se caminha entre a neve
com uma Luger na mão
e um aviso no sexo (PROIBIDO DEVORAR)

e olhámos
o elevador de Santa Justa parecia indicar
a verticalidade rápida de menos dois tostões
noticiando o Tejo e a sua ponte
(muito para mostrar aos do Brasil e de Lesoto)
Lisboa (António Maria) sentou-se ao nosso lado
Sentados
Todos sentados e continuando a respeitar as leis
ficámos
a ouvir o noticiário meteorológico
Campo de Ourique algumas nuvens com precipitação provável
Rua do Norte alta pressão isobárica
Rocio o costume
Cais do Sodré frente fria em evolução
com alguns barcos para o Barreiro e muitos nabos
abrimos
uma lata de enchovas
esfregámos os pés no azeite (enlatado de exportação)
e alimentámo-nos confortavelmente
enquanto escrevíamos cartas
à família mais próxima é evidente
e tentávamos absorver
através das palhinhas made in Japan
alguns tragos de vinho do Cartaxo
recém-desembarcado do vapor

Lembras-te menina
Como foram rigorosas
as nossas noites de amor?


É preciso não esquecer que o processo de crescimento
da humanidade
é metálico
daí os fornos crematórios
e os vários campos de concentração mais ou menos repelentes
Sentados olhávamos

Um gato sorriu atrás da porta e espreguiçou-se
escreveu taquigraficamente um salto no espaço
e propôs-nos um jogo de encontrar
depois seguiu a aventura de ser ele

A rua da Palma parecia uma mentira inesperada
enquanto assávamos sardinhas e pimentos na escada de pedra
e alguém dava um pontapé numa bola de trapos
que rolava para a praça seminocturna

Escrevemos mais cartas
desta vez aos amigos distantes
e a alguns membros das polícias excessivamente secretas
que tentam decifrar a grafia do voo dos pássaros

Lembras-te
quando partiste?
Levavas um casaco muito branco
e enquanto pisavas os degraus
sorrias
como uma navalha de Albacete

Os automóveis passavam com procissão obsessiva
anunciando apenas um dia febril
enquanto pessoas muito pessoas
pernas dedos dentes
traçavam no solo o diagrama
de mais uma tentativa simplesmente quotidiana

As ruas deslizavam calmas
como quem volta do teatro e vai dormir
Animoglu Sok
Gonçalves Crespo
New Oxford
Gorki
Gregoire-de-Tours
Animoglu Gonçalves Oxford Gorki-de-Tours

Só uma rua imensa possessive
mostrando caminho até ao fundo do espaço
com sinais cabalísticos em cada esquina
e cartazes ofertando maravilhas
cigarros congressos políticos preservativos requintados
sabonetes retratos de assassinos
circos de cavalinhos aguardentes antiquíssimas
máquinas de computar a morte
lutas de mulheres laxantes infalíveis
Sorrimos
O Cesariny levantou-se à minha esquerda
e partiu para mais uma cerveja no Inferno
o Erol Isin à minha direita ergueu-se
e lá se foi
voltando a um Bósforo cor de corno e mar
só o Lisboa
metendo um cágado no bolso
e dando a mão a um menino
ficou à minha espera

mas não me levantei
não tenho pernas

Lembras-te
como amei Fipsy?
Deves contar isso a alguém
Fica-te bem.




Novembro – 69

Poema de Mário Henrique Leiria a acompanhar carta enviada a Mário Cesariny em 1970

(primeira publicação do poema, na revista surrealista holandesa «Brumes Blondes», número 3, 1972, en versão francesa de Isabel Meyrelles)

in António Maria Lisboa, Pedro Oom, Mário Henrique Leiria – Três Poetas do Surrealismo, Exposição Ícono-Bibliográfica,org. de Mário Cesariny

Biblioteca Nacional, Lisboa, 1981


Friday, March 7, 2008

[ concurso (nova actualização) ]

outro excerto do poema, para ajudar #1... #2

(...)
O Cesariny levantou-se à minha esquerda
e partiu para mais uma cerveja no Inferno
o Erol Isin à minha direita ergueu-se
e lá se foi
voltando a um Bósforo cor de corno e mar
só o Lisboa
metendo um cágado no bolso
e dando a mão a um menino
ficou à minha espera
(...)

in Fluxo 16. [ Still ]


c.2007


c.2007


c.2007

[ VOLTAS ÀS OUTRAS CORES CÉU IMENSO OUTRAS VOLTAS]

[ Yves Klein - Anthropométries ]



Yves Klein

Arquivo Yves Klein

[ concurso (actualização) ]

mais um excerto do poema, para ajudar...

(...)
Todos sentados e continuando a respeitar as leis
ficámos
a ouvir o noticiário meteorológico
Campo de Ourique algumas nuvens com precipitação provável
Rua do Norte alta pressão isobárica
Rocio o costume
Cais do Sodré frente fria em evolução
com alguns barcos para o Barreiro e muitos nabos
abrimos
uma lata de enchovas
esfregámos os pés no azeite (enlatado de exportação)
e alimentámo-nos confortavelmente
enquanto escrevíamos cartas
à família mais próxima é evidente
e tentávamos absorver
através das palhinhas made in Japan
alguns tragos de vinho do Cartaxo
recém-desembarcado do vapor
(...)

Thursday, March 6, 2008

[ concurso ]

pesquisei e não encontrei este poema, cuja amostra deixo abaixo, na internet
proponho, assim, que tentem adivinhar de quem é - respostas na caixa de comentários, sff; têm até próxima 2ª feira, altura em que completarei a transcrição do poema e divulgarei o autor


Discretamente fui ontem almoçar
ao lado do meu túmulo
levei para o acto um ramo de papoilas
que guardava lá em casa há cerca de oito anos
para qualquer momento circunstancial

(...)



há prémio para o vencedor, evidentemente!

que posts é que vou engendrar para aqui?

meanwhile: bem giro este vestido, huh, c?


encontrado ali

in Fluxo 20. [still]




[ 100 POST MARGARETE OLÁ! QUALIDADE BLOG NESTE ]

Combinado não tinha saido melhor.
Let´s acknowledge ourselfs e se for preciso, assobiar para o ar.

Wednesday, March 5, 2008

margarete: PRESENTE!

É dia 5 e o tempo já parece encurtar, durante este mês, dentre as habituais tarefas, tenho de:

# preparar-me para 15 horas de crucificação lenta, agendadas para a primeira semana de Abril.
# preparar-me para uma discussão irritantemente cheia de sorrisos (que prevejo infrutífera) na segunda semana de Abril.
# pôr mãos na massa dum projecto que anseio e do qual sei que me irei arrepender uma centena de milhar de vezes até estar terminado.
# tomar uma decisão daquelas
# e… fazer a pega final ao bode.


Portanto, parece-me o timming certo para aceitar o convite de participação em… mais um blog!


cá estou, c, a ver se não te arrependes... ;)



Rene Magritte por Lothar Wolleh
Bruxelas, 1967

Tuesday, March 4, 2008

re Fluxo 11.

o desequilíbrio o equilíbrio e o equilibrismo

A desproporção da porção vulgar para desequilíbrios e desacertos acorda subitamente o implacável murmúrio esse que ressoa dentro da tua própria cabeça como antídoto do substituto natural da metadona alinhando-te com o entorpecimento primeiro dos membros depois da mente impondo sucessivos recursos à irisação da superfície metálica que cobre o corpo como uma segunda pele permitindo assim a passagem de luz

O processo descrito anteriormente é curto e durando apenas alguns segundos é identificável quer pelo torcer de sobrancelhas e esgares de boca ou pela excessiva tonalidade azul das rugas e monocromatismo do olhar

O retrocesso a um estado sadio é também descrito acima constituindo prova que o equilibrismo provoca quedas e que as quedas não são sempre obra do desequilíbrio mas de uma simples distracção da abstracção e o cromatismo é uma forma de processamento constante que conduz ao enlevo que é o tal substituto natural da metadona

Monday, March 3, 2008

in Fluxo 19. [Still]



[ AUSÊNCIA DESORIENTAÇÃO ROTAÇÃO AUSÊNCIA MOVIMENTO CRESCIMENTO ALTERAÇÃO AUSÊNCIA AMOR AMAR-TE AMAR-VOS AUSÊNCIA OBRIGADO ]

Wednesday, February 27, 2008

[ FMM 2008 Sines - BEIRUT confirmados! ]



FMM 2008 Sines BEIRUT confirmados Dia 24 de Julho!

Mais informações no site do FMM
E AQUI já se está a combinar formas de fugir ao trânsito, onde ir jantar, a pastelaria recomendada, como fugir aos cães e aos gatos e contam-se metades de anedotas de loiras.
A não perder!

[ Melody ] + [ Misery is a butterfly ]


Blonde Redhead- MELODY


Blonde Redhead- MISERY IS A BUTTERFLY

ESTAVA INDECISO. COLOQUEI AS DUAS.

Tuesday, February 26, 2008

in Fluxo 18. [ Still ]


c 2005

[ SENTIMENTO TEMPESTADES QUIETUDE MESCLA SENTIMENTO ESSENCIAL MOLÉSTIA ESSENCIAL ROCHEDO TEMPO PERSISTE AO ]

Monday, February 25, 2008

re Fluxo 11.

.
Há topos de prédios cujos telhados são plataformas de lançamento de sonhos. Os homens que de lá se lançam sujam os passeios de sangue e vísceras. A visão leva o vulgar transeunte a reorganizar o seu dia e depois vomitar.

O movimento das ventoinhas abstrai-me do barulho e da pressa das pessoas, da sua cadência.
A sua magreza não mostra apenas o relevo dos seus ossos, sob a pele. Esclarece-nos do seu alheamento.
Entre a pele e os ossos não falta assim apenas carne, mas conteúdo, a massa volúmica do contacto com as cores e a leveza súbita do ser.

..
Acordo. O sol está a pôr-se. Consequência dos sonhos, na ressaca da ausência do delírio matinal, o tempo passa para segundo plano. Daí brotam nadas. Chamo-lhe o desespero da não desmultiplicação de quotidianos. Reconheço a minha inépcia momentânea para nestes momentos instalar a diferença. Se essa angústia tivesse voz, seria projectada nas paredes brancas sem que nelas ficasse alguma coisa impressa, excepto longos murmúrios. Os corpos metálicos, alguns até de chumbo, impedem que se leia através deles. Precipito-me para fora do carro e escrevo impulsivamente nas paredes: "Silence is Sexy!"(*1)
Sigo para lugares fechados onde predomina a luz.
O fascínio da luz é-nos comum, noctívagos sem radar. A sua procura é obsessiva. Apenas contam os sentidos e a eterna fuga do breu, a simplicidade das coisas e a desconstrução dos dias, fúteis, em atmosferas de fundo negro em noites lentas.
(*1) – “Silence is Sexy” – Einsturzende Neubaten


Escrito por ocasião do nº 1 da Revista Minguante

Friday, February 22, 2008

e agora para algo completamente diferente



Folk indie TAGV Coimbra

Exceptuando a companhia, terá sido do que de bom lá resultou...
Algumas boas "exibições" de Magic Arm.
Magic Arm


Ola Podrida?? :)

in Fluxo 17. [Still]


c.2008

[ OLHA SEMANA FIM DESPREVENIDA SOL FRIO PELE ]

Thursday, February 21, 2008

[ Where is my mind ]

Wednesday, February 20, 2008

[ "...é sempre o rosto que atrai as pessoas ]




Tony Oursler

Tuesday, February 19, 2008

E agora para algo completamente diferente


CARLOS BICA e o seu contrabaixo a solo
e um convidado - Mário Delgado (Guitarra)
no SALÃO BRAZIL

PROMETE SER DAQUELAS COISAS!

Mais InformaçãoAQUI

in Fluxo 16. [Still]


c. 2007

[ ALTERNATIVO VEREDA DIRECÇÃO SALTO VOID LUZ INDECISÃO REFLEXÃO PASSADO VACILAR]

Monday, February 18, 2008

[ in Fluxo 8. ]

Referring URL http://www.google.pt...po humano%3F&spell=1
Search Engine google.pt
Search Words um produto para as dores nos ossos do corpo humano?


lamento mas não. aqui terapêutica, só [em narrativa de suporte pouco convencional e formatação não] poética
e não se afiançam frutos. apenas a expiação de dores
da dor constante do revestimento imaterial dos ossos
exíguos curativos ao valor módico de um click

click?

Sunday, February 17, 2008

[ helena almeida ]



OUVE-ME

[ William S. Burroughs ]

Friday, February 15, 2008

[ Sára Saudekova ]


TEREZKA, 2006

Sára Saudekova

Thursday, February 14, 2008

in Fluxo 15. [still]


c. 2006
[ ELA ÁRVORE RAIZES IMENSA MAIS RAIZES e RAMOS e FRUTOS]

re Fluxo 10.

mesmo que às vezes te sintas
fatiada como se fosses em fragmentos
e se dispersassem levados
por uma ventania qualquer ou uma brisa
porque na imensidão que digo que és
alguns pedaços serão leves e levados
alguns – repito – não todos
porque tens raízes e ramos
e num deles poiso eu
às vezes quando não estou
a teu lado

Friday, February 8, 2008

re Fluxo 9. [repetição de palavras para exorcismo]

A deambulação levou-me a um emaranhado
de ruas pretas - absolutamente pretas.
Na ausência de luz ausenta-se também a sombra.
Se não tem sombra, não é? O homem
que caminha por aquelas ruas pretas, não é.
Se se perder por lá, a ausência de sombra fá-lo-á
começar por definhar, até que por fim, morre.
Ser no fim, o por fim, não é uma redundância,
porque esse pode vir a meio de algo. Ali,
nas ruas pretas, adivinha-se, que o fim está próximo
e não se estão a meio de nada. A espaços
há passageiros das ruas pretas que, por oposição
ao breu, encontram um parque onde há carrosséis
e luzes, muitas luzes. Os olhos semicerrados,
uma mão a tentar tapar a entrada súbita
de luz e entre piscares de olhos, os vislumbre
de pessoas de cara fechada, lábios pretos
e olhos sombreados a preto, a andar nos carrosséis.
Muitos olhos. Muitos olhares.
Homens e mulheres com cara de bobos
e chapéus com sininhos cujo tilintar se sobrepõe à música
da Vieira, das chávenas loucas, do Merry-go-round e ecoa
irritantemente na minha cabeça. Oiço
um desses homens que anuncia:
“- Come and let yourself ride in the flying chairs,
in the flying chairs. SIT, SIT, SIT”
Sentei-me e fui.

in Fluxo 14 [Stills]


5.[QUANTAS ESTAÇÕES?]


4.[QUANTAS ESTAÇÕES?]


3.[QUANTAS ESTAÇÕES?]


2.[QUANTAS ESTAÇÕES?]


1.[QUANTAS ESTAÇÕES?]

[CROMATISMO RECTAS CURVAS DESCOLORAÇÃO MONOCROMATISMO CAMINHO SENTIDO]

Thursday, January 31, 2008

in Fluxo 13. [Still]



DURO EMPAREDADO RUDE PLANO EMBATE DESÍNGIO IMPROVÁVEL OBSTÁCULO OU CAMINHO

Monday, January 21, 2008

[re Fluxo 8.] - alterado

despe-te dos ornatos, lassos de felicidade e erra
erra pelo teu núcleo e fá-lo explodir
emergir à superfície, à tua
e sonha – sonhos de arestas boleadas
o âmago, colorido e uma motivação
interna-inteira, não só na carapaça
Os elementos latentes, a demanda – grito.

in Fluxo 12. [Still]



IMÓVEL
OS DIAS ATRAVESSAM-ME.

[The Passion of lovers]

Thursday, January 17, 2008

in Fluxo 11. (Still)


c.2005

POST RESPOSTA À Alice-menina

Sunday, January 13, 2008

in Fluxo 7.

As trémulas mãos agregam o remanescente
da vida um sopro na oscilação do medo
um fim e não voltaremos a vê-lo
senão numa imagem estática aonde o vento
não passa e o teu arfar do cansaço
apenas a vai embaciar

turvar
tingir
esborratar

restará a película morta que seguras
amortecendo o tombo dos olhos
no despovoado movimento circular da razão

fundamento
motivo
alicerce

in Fluxo 10. [Still]



[Inquietação Atmosfera Controlo Transmissão Desordem/Disfunção Sim Aqui Já Não]

Friday, January 11, 2008

[O anjo mudo] [o anjo mudou] [o-anjo mudou-o]


re Fluxo 7.

CERTIFICADO DE APTIDÃO PARA SE EMOCIONAR

Venho por este meio, certificar que tu M estás apta a emocionar-te, sentir nas entranhas aquela borboleta negra que te provoca a sensação de escravidão recorrente dos sentidos.
Não é de dores no corpo contudo que padeces, pois as tuas lágrimas são secas.
Estás apta a emocionar-te.
Porque não acredito na perfeição, dou-te um 19.
Apta com distinção, porque acreditaste.
Acreditar é a minha grande lição, apesar de não ser professor e de te ter dado a nota, o que no fundo não faz sentido, pois fui eu quem te disse um dia, “- preciso de me emocionar.”
As úlceras provocadas pelas asas metálicas das borboletas negras, acabarão por sarar e as dores desaparecerão. Provavelmente perceberás isso num “clic”, apesar do processo ser progressivo.
Nesse momento lembrar-te-ás que hoje alguém te disse que tinhas obtido a competência para te emocionares e que isso é magnífico.
Esse é o dia em que vais emergir com uma nova competência para ser feliz.

dedicado em abril 2006 à mesma pessoa a quem o dedico agora, mas hoje bastante mais perto.

[Grow grow grow]

Monday, December 3, 2007

uma casa

Lírio Roxo

Wednesday, November 28, 2007

in Fluxo 9. [Still]



[ Projectar Agonia Fastio Contenda Bélico Plúmbeo ]

Wednesday, November 21, 2007

[Mutações]

A mutação. (Em versão compacta)

















VERSÃO COMPLETA: Toda a sequência AQUI

Nienke Klunder

Friday, November 16, 2007

in Fluxo 6.

O ESPAÇO ESSENCIAL PARA A AFINIDADE EPIDÉRMICA COM A EXISTÊNCIA
ACHA-SE NAS FENDAS DO ABSURDO. BRECHAS PARA A REALIDADE.

DEIXA-ME ENVELHECER, UM DIA DE CADA VEZ.

[Oceans]

[Enjoy the Silence]



Depeche Mode

World Trade Center

[This is hardcore]



PULP

E também o Common People

Thursday, November 15, 2007

in Fluxo 8. [Still]




[ Magnificência Luxo Arrebata Inclinação Sítio Vento Rumo Amor ]

[Borboletra, não me apetece trabalhar]

Borboletra,
Não me apetece trabalhar hoje. Parece que a ti também não.
É cedo, encontramo-nos no Trópico, peço uma imperial e tu um fino preto e uns tremoços. Em seguida vamos ao Jardim da Sereia, dar uns beijos como os miúdos. Descemos a avenida, olhamos para a esquerda e pensamos ambos no mesmo. “Era ali mesmo.” Continuamos, entramos numa ponta do mercado e saimos na outra, apenas para eu acabar o rolo que tenho na máquina. Passamos no largo e olhamos para o Santa Cruz. Continuamos. Deixam-se os rolos a revelar e trocam-se umas palavras com um fotógrafo a sério. Miram-se umas montras, algumas já de natal e procuramos uma mesa no Zé Manel dos Ossos. Come-se, e bebe-se o vinho da casa. Talvez se saia de lá meio inebriados e então decidir-se-á o que fazer o resto da tarde.

Wednesday, November 14, 2007

[Where the wild roses grow]



"Nick Cave & and the Bad Seeds"

[Nick the stripper]



"The Birthday Party", a segunda banda de Nick Cave

[shivers]



"The Boys Next Door", a primeira banda de Nick Cave

in Fluxo 7. [Still]


c.2006

[ TRILHO DIFUSÃO MURMÚRIO INQUIETAÇÃO OLHO LUZ CEGO]

Tuesday, November 13, 2007

re Fluxo 6.

preâmbulo com um poema que foi isso mesmo a vários poemas cuja existência aqui compilo e te ofereço agora assim juntos
Chove e é noite.
a estrada reflecte as minhas e outras luzes
que se cruzam comigo a alta velocidade.
Há cadáveres no alcatrão frio e húmido
é noite já o disse e é Sexta-Feira.

Chove cada vez mais e ele canta:
"Sometimes i look in your eyes and i can see your soul."
é o refrão e repete-o.

i
As cidades constroem películas duras e ásperas
que se transformam em suaves e deleitosas
membranas de subjugação
aos prazeres da pele na pele.

É nelas que
o indivíduo é capaz de plantar.

ii
Arrepia-me o couro com os teus dedos
enterrados na dormência da minha carne
e mesmo que sintas que não tenho frio
deixa emanar e segregar do teu corpo quente
os teus fluidos todos
para me afogares em ti.

Deixa-me morrer em teus braços
nem que seja por alguns momentos
e desperta-me em seguida
com a tua língua rompendo na minha boca.

iii
Se te doem os braços
e os teus membros procuram a posição alongada do teu corpo
procura-me com os teus olhos e não deixes que desvie os meus
prolonga esse momento até ao êxtase, sorri-me no fim
e deixa-me sorrir

iv
Pouso a língua na palma da tua mão.
Uma lâmpada cuja intermitência anuncia
o seu fim, dá um aspecto psicadélico à cena
e os insectos chocam com
ela, nervosamente olho no teu olho, o outro
está fechado.
Continuo com a língua na palma da tua mão
e começa a ficar seca.

Lambe-ma. Venho possuído, não me perguntes
o que isso quer dizer.

v
Se as letras de paixão
couberem dentro das palavras transversais
e das frases alternativas
beijar-te-ei com o mesmo afinco
da palavra assombroso,
do significado de fantástico
e tocarei com a minha língua
no céu da tua
boca.

vi
Vou despir-te e amolecer a tua voz numa toada de sons
incompletos. Dos alegres lamentos do teu sexo em forma
de ulo carmim. Amolecer o teu corpo num estimulo continuo
desta condimentada concupiscência do deleite das mentes
rendidas à lascívia dos corpos.

Amoleces, porque te amo
Até perderes as forças.

[an ocean without a shore]



Bill Viola

Monday, November 12, 2007

[Messenger]



Blonde Redhead

in Fluxo 6. [Still]


c.2004


[VELOCIDADE ENEVOADO VERTIGEM FANTASIA AQUI MORRO IMÓVEL]



c.2004

[Slave City]

SLAVE CITY - denvelop
SlaveCity, 2005 – ungoing
"SlaveCity can be described as a sinister distopian project which is very rational, efficient and profitable (7 billion euro net profit per year). Values, ethics, esthetics, moral, food, energy, economics, organization, management and market are turned upside-down, mixed and reformulated and designed into a town of 200.000 inhabitants. The ‘inhabitants’ work for seven hours each day in office jobs and seven hours in the fields of inside the workshop, before being allowed three hours of relaxation before they sleep for seven hours. SlaveCity is the first ‘zero energy’ town; it is a green town where everything is recycled and a city that does not squander the world’s resources."
(...)
Welcoming Centre, 2007
"Before entering SlaveCity and becoming an inhabitant of this city, you have to pass the Welcoming Center. In this large building the participants are selected for their suitability to come and work in SlaveCity. Old, cripple, sick and bad tasting people will be recycled in the biogas digester. Healthy, not so clever people, will be recycled in the meat processing factory. Young and very healthy people will be able to take part in the organ transplant program. Healthy, clever people will go to work in the CallCenter."
(...)
Luxurious Female Brothel, 2006
"In this sperm shape the male slaves can indulge. The male at the end of the tale have to fight their way through different sections. Only the strongest and most clever men will find their way to the front, where the women will wait for them, in a round arena where they will perform their last battle. Micro, meta and macro levels in our society are the same."



Van Lieshout Atelier

Friday, November 9, 2007

[Karmapolice]



Radiohead

[O Ponto de Situação do Situacionismo]

Sobre um hipotético final da Internacional Situacionista, num escaparate a que não assisti, com muita pena minha (a este e aos outros), mas que me fez reflectir sobre a globalização que acabou por levar à individualização de um movimento, quando se poderia prever que seria o contrário. Pode não estar extinto, mas pelo menos adormecido, está. Também esta semana, curiosamente ou talvez não, li uma entrevista de João Lisboa a Adolfo Luxúria Canibalem 2001, onde o situacionismo é também abordado, nessa altura numa perspectiva mais presente e activa.

Fará para o ano que vem, 40 anos do Maio de 1968, e será talvez interessante perceber se o Situacionismo se diluiu ou evoluiu, metamorfoseou.

Thursday, November 8, 2007

[Poetry and Motion]



Charles Bukowski
Aqui: Quase tudo sobre Bukowski
Aqui: "Versões" de Bukowski por manuel a. domingos

Tuesday, November 6, 2007

[Corpo; epiderme; nudez]

Películas aromatizadas em prateleiras de supermercado ao lado das velas, ou em mostradores da sua farmácia, por baixo das pomadas e pensos para calos.
Homens que dormem nus, como se tivessem sido esfolados. Alta tecnologia para modas de alta gama. De manhã, depois do banho, vestir a pele aromatizada de acordo com a estação do ano.

Aromas frescos, frutados, doces de verão.
Aromas quentes, fortes, especiarias de Inverno.
Extras:
Os toques da fruta, especial pêssego ou cereja.
Tecidos nobres silky ou velvet underground.


Ao longo do dia, peles desnudas e respectivos odoríferos.

re Fluxo 5.

[Afinal somos todos mutantes] 2006

PARTE II
dois homens

Indesejo

ao contrariar a tendência do indesejo o corpo adquire a forma crivada do anseio matinal similar à lua dos animais cujos bramidos cavernosos denunciam o cumprimento da faina tal figura de arte concluída e colocada num pedestal numa forma tudo menos endeusada ou antes até entesada com a satisfação aliviada pelo atenuar da excitação gerada pela ansiedade das rotinas que é como quem diz ao extenuante passar dos dias insípidos ou de um branco nada puro e que pudesse ser encontrado num anúncio de detergente como se tivesse um filtro baço que lhe retirasse o brilho ou a resplandecência que é um misto de cintilar comedido e decente conferindo-lhe um certo ar de áurea ou de alguma santidade que como se sabe é alguém que está numa idade que espirra muito muito muito pelo que quem está perto deles evita de estar sempre a repetir santinho santinho santinho e canoniza o dono do espirro dizendo amén


Uma mão na tua boca para tocar o teu sorriso

O esplendor de alguma roupa dá-se no momento de a despir em que a fluidez do tecido escapa pelos arcos do corpo caindo em pequenos fôlegos no chão até se imobilizar hirta e é nessa altura que os olhos se erguem novamente até encontrar o sorriso para que na noite do dia em que partes vá procurar o vento nocturno junto ao mar para lembrar que há sítios mágicos e muito ventosos onde estivemos antes e o recorde ao sorriso com ternura a mesma e cito das “mãos na solidão alheia” sendo o indesejo substituído primeiro pelo desejo e depois pela saudade e pelo anseio de ver os teus olhos crescerem subitamente como se quisessem colocar uma parte do mundo dentro de ti como uma enorme boca que sorve de súbito tudo o que para ti é belo e isso é belo só por si


assunto pendente

a tua pele frutada o sabor a suavidade a similaridade dos gestos a mordiscar e tocar com língua um no outro ou outro num como se fosse doce e é mesmo mas de uma forma diferente de uma cereja e de um pêssego ou de uma uva embora pudesse ficar por ali a contar quantas bagas te constituem como se fossem as vezes que te beijo sem que as línguas se toquem ou que os lábios se percam pouco ou muito não importa porque perder-se é bom nem que seja momentaneamente pois assim trilhamos caminhos que não conhecíamos que não queríamos ou tínhamos receio de seguir pelo que a perdição pode ser uma forma de perder medos isto sem esmiuçar se os deixamos em veredas junto a azinheiras ou candeeiros ou se os largamos espontaneamente quando chegamos novamente ao local onde nos encontramos o que leva a pensar se alguma vez se perde mesmo esses medos já que dificilmente nos encontramos no espaço de uma vida sendo que assim será mais correcto assumir que a melhor forma será viver os horrores e os pavores sem perder a enorme vantagem que me parece ser perder-me isto se for ajustado pensar que há efectivamente melhores formas de tratar assuntos mantendo-os pendentes tal como o sexo do homem antes e depois da mulher


assunto não pendente
A minha mão gosta da tua pele a minha pele gosta da tua pele a minha mão gosta da tua carne a minha carne gosta da tua carne e tudo podia ser tão simples como isto efectivamente é

Monday, November 5, 2007

[This is the day]



The The

Thursday, November 1, 2007

[e agora para algo completamente diferente]

respondendo ao desafio da margarete no no seu alter-ego partilhado onde teria que tirar a 5ª frase de um livro que estivesse no nosso caminho. Hoje cheguei a casa e lá estava ele, por arrumar em cima da mesa da sala. Por acaso estava por baixo de outro, mas que já vi por aí publicada a magnífica 5ª frase. Fiquei com a segunda escolha. Cá vai.

Pág. 161, 5ª frase do "Teatro de Sabath" de Phillip Roth, Publicações Dom Quixote 2000
"Pagara o preço máximo pela arte, e todavia não fizera nenhuma."

Tuesday, October 30, 2007

[Monochrome]




Ciclo
Yann Tiersen
Dominique A

[making art is quite therapeutic]

A letter from Tracey Moffatt to Lynne Cooke, curator of Dia Center for the Arts, New York, in advance of her show "Free Falling"
Fall 1997

"Dear Lynne,
Making art is quite therapeutic, like chopping vegetables, it calms me and keeps me off the streets. If I wasn't making photographs or films I would be going around slashing car tires with a butcher's knife.

It's not that I am a violent person (though I have secretly willed the occasional person to trip down a stairs), it's just that the anger builds up so badly that if I don't do something to take my mind off it like "work shopping" it through the making of artistic images then LOOK OUT!

I think thank god that I always work with "a crew" when I go out and make images. Even when I make my photographs I have "a team" -- a safety net around me. They keep an eye on me.

I'm the one who is in control though -- completely dictatorial but never mean to work with. I've found the best way to get what I want is through laughter. Especially when I run up to people in the streets and beg them to be in my photographs and "art films" I say: "Excuse me, look I'm not a weirdo okay I'm an artist, I need you, I'll give you fifty bucks if you do it -- oh and it's not porno."

Before you know it I've got them chuckling away and ringing me every day to know when the shoot is on and asking if their mothers can come and watch.

I've very excited about having a show at Dia Center for the Arts thanks Lynne for hauling me out of the ghetto and discovering me. The thought of having my work showcased in New York City for nine months is a dream come true.

The other day this older artist I know made a niggardly comment about me having the show. I could tell he was baffled as to why my work was being given a platform and me being still not so old. It was words to the effect of "who would have thought it would happen." Like it was all such a big surprise that out of the blue I made something that would attract some attention.

Then I thought about how he works or about how "little" he works at his own art -- how it has never advanced. How he never reads about art or artists or even goes and sees anyone else's shows -- so caught up in his own "genius." Scared to take in anything new out of fear of being tainted -- a fear of not being completely original.

This person has never realized that the most interesting artists have always had a keen awareness of history and of what was going on around them -- borrowing from this and that and admitting to outside influences. For example I love how Martin Scorsese constantly references other film directors and films. You see him in interviews revelling in his love and knowledge of cinema. Then you look at his films and see the power and originality.

I also like to do my homework, though it is never work I should just call it "joy." Sometimes it's all I ever do, I'm constantly in a book shop or chasing some obscure film.

Once a friend saw me sitting on the floor in a local library staring at a child's picture book for a long time -- I was very embarrassed.

Each year I seem to take on an obsession with an artist, you can trace this in my book shelf. I adore biography and usually of a woman artist.

For example, in 1984 it would have been Zora Neale Hurston, in 1985 Diane Arbus, in 1986 Frida Kahlo, in 1987 Anaïs Nin, in 1988 Pauline Kael, in 1989 Carson McCullers, in 1992 Maya Deren, in 1993 Anne Sexton, in 1994 Georgia O'Keeffe, in 1995 Leni Riefenstahl, and lately it has been the turn-of-the-century Californian pictorialist photographer Anne Brigman.

Anne Brigman made exquisite scratchy platinum prints of her nude self and other women posed in twisted up trees in the Sierra Mountains. Anne was so "counterculture" so caught up in beliefs of "free love" and of mystical ties to nature -- she was in a sense a early hippy artist. Isadora Duncan would have been her dance-world equivalent.

Anne once described her photographs as "the partially realized fancies that flourished in the golden or thunderous days of two months in a wild part of the Sierras where gnomes and elves and spirits of the trees reveal themselves under certain mystical incantations." In 1908 Annie must have thought that this was a cool way of describing her art.

Unfortunately, Lynne, I don't want to even try to describe the work I have produced for our show "Free-falling" -- see how I call it "work," I can't even bring myself to call it "art" (it's an Australian hang up) I am still too close to it, I will leave it up to you.

I am pleased that you have chosen four works which have been produced over a seven year period. the three media of film, video, and photography. I'm not sure if there are connections in the pieces, maybe.

I'm happy with our title "Free-falling" -- falling through the air free from guidance or restraint. It does combine like you say "both danger and wonder, something unfettered and marvellous with something risky and even violent" All the best things as far as I'm concerned.

Best Wishes,

Tracey Moffatt"




Tracey Moffatt
Something More, 1989
series of photographs

Ciclo Tracey Moffatt

Monday, October 29, 2007

[Gardez Les Esprits]



ciclo The Young Gods

Friday, October 26, 2007

[Ballad of the Soldier's Wife]



ciclo PJ Harvey

Wednesday, October 24, 2007

re Fluxo 4.

poemas húmidos para amores mais que perfeitos.
2005/2006

#1
A claridade que se espalha nos campos verdes
é a forma douta dos dias luminosos.

Digo que o trabalho final é o mais delicado.

Cumpre-se a função básica - respirar,
mas não me parece que seja assim satisfeita a vontade das árvores
de cujos ramos aparentemente mortos emergem débeis rebentos.

Há protótipos de paixões
nas pétalas das flores caídas das amendoeiras.
Às últimas, carrega-as o vento
Arrebatadas por repentinas rajadas, como se fossem flocos de neve.

Não há mil cores no ar.
Ainda hoje choveu e fez sol
o que ajuda a pigmentação do homem oblíquo.

É assim a arquitectura dos dias
que funciona de forma diferente à das marés,
cujo ritmo é similar ao das almas perturbadas.

Ao meio mulheres voluptuosas e acrobatas
encenam a paródia dos alegres.
À sua volta os censores e os mirones
dão provas de que a inveja é na realidade algo pouco divertido.

Venero a densidade dos sentidos!
Se ficar cego, arranjarei agulha e linha.
Pedirei que te perfumes e cosas acessórios inúteis ao meu corpo.

#2
jogo uma janela pela janela
que cai perto de ti que
ias a passar na rua

pergunto-te se queres entrar
respondes que sim mas pela porta
pelo que te jogo uma porta
pela mesma janela que apanhas
e entras

a casa está desarrumada e
explico-me dizendo que tenho andado
preguiçoso e não esperava visitas

baixo os olhos e dizes que não
vens para ficar mas não queres
ser uma visita

apresento-te assim a minha cama
da qual sairás quando quiseres

pouco depois já te sinto
molhada nas minhas mãos
e o sexo não tarda
a encontrar-nos pela primeira vez

será uma vez com exemplo e veremos
esta cena repetida várias vezes.

#3
e se
sacrificasse as pedras e o cheiro da terra
molhada e mole quanto baste
para deixar sinal da tua passagem

os bois e as vacas, algumas ovelhas também
chamar-me-iam parvo e perguntariam:
“- que fazes tu idiota?” e eu responderia:
“ – não sei.”

saber que andas pelos brejos
sem poder pontapear as pedras

caminhando como etérea
sem sequer levantar pó nos dias da soalheira
não deixar marca no chão nos dias de borrasca

assim, é-se órfão de terra nos pés
o que castra o homem da massa corpórea
que assim é unicamente alma
– um fantasma.

passarias assim incólume
por mim
que ficaria intacto.

#4
Quis dizer a palavra vento
mas este desapareceu pela paisagem gasta.
Quis dizer “- gosto de ti.”
e o vento parou.
Construí um muro enorme perto de minha casa.

Pintei-o de anil e fiz-lhe uns buracos.
As pessoas paravam, espreitavam através de um buraco
e viam-te dormir. Não percebiam.
Passavam ao buraco seguinte e espreitavam.
Estavas a comer e a rir. Continuavam a não perceber.

Nenhuma passou aos buracos seguintes
onde estavas a fazer outras coisas.

#5
Tens um recipiente plástico que torna artificial
a forma como armazenas céus ligeiramente enevoados
onde a lua parece ter o cheiro metálico do próprio reflexo
como hoje.

A fuga
redunda na saída por uma porta, que te leva ao mesmo corredor onde estavas .
A repetição é isso mesmo.

Se pretendemos propositadamente abrir essa porta, encontramos por trás dela
a infelicidade. Não é por perpetuarmos a doçura de um beijo
que edificamos ou alicerçamos o prazer.
O beijo seguinte é mesmo para apagar o sabor do último
antes que amargue.

Num exercício quotidiano manifestas-te
e tens a estranha sensação que a espaços
respiras.

Cometemos erros e mentimos.
Somos abençoados com a dor, que sentimos por oposição
ao prazer.

E por fim, há inícios cuja faísca
é a morte.

#6
hoje acorda-se estranhamente
e é dia 32 de Dezembro
os foliões quedam-se de olhos
fixos e bocas entreabertas

e nos oceanos os navios
abandonados por marinheiros com fatos
de palhaços e outros acessórios
a fingir que se é algo ou
que simplesmente não se é

nesse dia veio a devastação
o mar perdeu o sal que se colou ao céu
turvando o dia que perdeu assim a
luminosidade habitual do sol
a pique às 12 horas

os peixes em desespero suicidaram-se
ocupando todas as margens de mares
rios riachos lagoas tanques e fontes

os homens estão incrédulos e perguntam-se
se chegaram ao final.

Monday, October 22, 2007

[Comic Strip]



É a loucura! Eu na casa das meninas, moças, cachopas e gaijas durante 1 semana.

Tem tudo para correr mal!!!

in Fluxo 5. [Still]



c.2006

Friday, October 19, 2007

[Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida]



Al Berto, por Al Berto

Thursday, October 18, 2007

re Fluxo 3.

[Afinal somos todos mutantes] 2006

PARTE I
muitos homens um homem só


a natureza humana não vai em retóricas

não mais que das pedras aguçadas pelo engenho do homem na sua procura incessante do amanhã e do depois como se os filhos fossem dos outros e não quiséssemos saber deles assim como dos cães de caçadores abandonados por falharem no seu serviço mais básico e natural que seria o de perseguir outros animais com afinco e alguma eficiência essa mesma a que os homens mostram na destruição da sua esfera de uma forma quase animal ou não porque os animais os outros a que chamamos animais vivem da e para a natureza nem que seja a sua e todos sabemos que a natureza humana não vai em retóricas nem em conversas de fracos e anjinhos que são aqueles que parecem obtusos o suficiente para não serem inclinados que afinal até pode ser uma coisa diferente de oblíquo ou os que escolhem caminhos pouco rectos mas de uma forma pouco inclinada ou inclinadora pois ser obliquo não significa que não se pode ser recto mesmo que o caminho não o seja sendo que agora devo terminar com um ponto mas continuo e falo das nuvens dispersas aquelas que são boas para as fotografias onde um céu azul e limpo chega a ser monótono e quase branco como as paredes enormes dos edifícios públicos antigos e de alguns novos também mas agora mais minimalistas pois anteriormente eram salazaristas o que tem graça pois eram edifícios de direita e de facto eles tinham poucas curvas o que não quer dizer que os caminhos no seu interior fossem sempre rectos o que se faz com que seja a segunda vez que retoricamente me refiro a linhas direitas ou inclinadas num texto tão curto ainda o que não significa que ele vá ficar comprido o que nos remete para o significado das coisas pois a qualquer momento pode surgir um. final.


a névoa

pequenas partículas de humidade suspensas na atmosfera constituem a névoa que nos coloca a nós também suspensos na atmosfera de semblante carregado de equívocos que se juntam a outros vultos em processo de matização para adornar e ornamentar não os corpos mas a ilumina das mentes das quais por vezes nos tornamos servos num processo de egotirania aprisionando-nos dentro de nos mesmos o que nos remete novamente para a palavra corpo que se torna assim uma cápsula hermética de fora para dentro e de dentro para fora mas como digo no início as partículas de humidade que se suspendem no ar talvez nunca queiram ser gotas de chuva que se expandem e explodem numa superfície perdendo a unidade do que já foi ou seja gota una uma e assim quem somos nós senão água que até é a maior parte da constituição do nosso corpo matéria líquida em massa densa peso carne osso órgão vivo morto corpo em peso peso peso que contrapõe com o etéreo ser e assim temos dois compostos que se afastam gravitacionalmente o que pode ser grave pois como se pode perceber a propriedade do homem se corpo e alma fazem forças opostas incompatíveis na atmosfera terrestre o que explica porque às vezes me sinto no mundo da lua


o desequilíbrio o equilíbrio e o equilibrismo

A desproporção da porção vulgar para desequilíbrios e desacertos acorda subitamente o implacável murmúrio esse que ressoa dentro da tua própria cabeça como antídoto do substituto natural da metadona alinhando-te com o entorpecimento primeiro dos membros depois da mente impondo sucessivos recursos à irisação da superfície metálica que cobre o corpo como uma segunda pele permitindo assim a passagem de luz

O processo descrito anteriormente é curto e durando apenas alguns segundos é identificável quer pelo torcer de sobrancelhas e esgares de boca ou pela excessiva tonalidade azul das rugas e monocromatismo do olhar

O retrocesso a um estado sadio é também descrito acima constituindo prova que o equilibrismo provoca quedas e que as quedas não são sempre obra do desequilíbrio mas de uma simples distracção da abstracção e o cromatismo é uma forma de processamento constante que conduz ao enlevo que é o tal substituto natural da metadona


e então solicita-se silêncio

a ausência de ruído traz-nos muitas vezes um agasalho quente num dia frio como se de um retorno ao útero se tratasse e pudéssemos novamente respirar dentro de água sem asfixiar em clima ameno

num outro dia veio um outro calor tão grande mas tão grande tão grande que note-se o sol amarelo derreteu em cima do céu azul exalando gases que nos embriagavam e aparentemente estaria tudo bem

Nisto fez-se noite e na manhã seguinte o povo levantou-se espantado pois o céu estava verde e os cientistas debateram com os artistas a questão cromática a policromática e a da fusão de cores

A condição humana é assim posta à prova pois a procura de razões para as coisas é talvez o procedimento mais complicado de fazer correr de forma coerente nos processadores da lógica

Certo apenas é que nada se sente isoladamente e há coisas que mudam apenas para se manterem móveis e por sua vez vivas


é de dias curvos que precisamos

Diz-se de uma pessoa que resiste ao momento danoso que é forte o que me intriga pois que pujança é essa que nos permite não penar com simples acto físico de tensionar a fibra corporal criando assim o halo que nos escora temporariamente permitindo-nos fazer a transição para os dias claros e luminosos o que me leva a pensar que como qualquer músculo este também pode ser exercitado o que me remete para a primeira questão ou seja onde está esse músculo que se pode exercitar até chegar o dia de o utilizar o que me remete para a questão seguinte que é a necessidade de treinar para não penar pois parece idílica a ideia de fugir às agruras e aos objectos contundentes podendo até cair-se na tentação de provocar o sofrimento para obter a compaixão alheia para a seguir fazer meia dúzia de flexões e ficar como se estivesse sobre efeito de medicação ou ainda melhor como se estivesse sobre efeito de um qualquer produto psicadélico que nos provocasse alucinações ou ainda mais alucinações que as que temos que nos permitissem não só fugir da dor mas também das arestas vivas e das articulações rectas da vida tornando-a assim mais curva pois é de dias curvos que precisamos e não de dias geométricos e regulares


dispensam-se dores nos ossos

Ao homem com dores nos ossos é mais penoso andar direito.

O homem tem duas posições - perpendicular ou paralelo à linha de terra.

Já os caminhos são muitos. O homem consegue inclusive deslocar-se em qualquer sentido nos 360 por 360º do globo, seja qual for a orientação. E pode fazê-lo até sem muita imaginação. Para o resto pode ser preciso sonhar. Ficar quieto parece ser mais difícil apesar da simplicidade do acto. Para muitos ficar quieto é um não-acto e isso parece-se muito por vezes com dores nos ossos.


há degraus cães dormindo vagabundos

Tenho aqui umas esquinas de ruas que me doem ao dobrar pois as arestas são demasiado rectas e as ruas excessivamente estreitas que me impossibilitam caminhar inebriado sem que bata constantemente nas paredes ou tropece em degraus cães dormindo vagabundos e outros objectos urbanos sedentários e se quedam pelas vias à espera que o movimento os provoque e os instigue a mexer sendo alguns até de forma imperceptível ou insignificante como é o caso óbvio dos degraus mas que pela forma como por vezes os falho creio que estejam possuídos de uma forma de vida que desconhecemos ao contrário dos cães dormindo vagabundos que por vezes acordam porque tem de ir arranjar comida ou outro sítio para se deitar


confessionário ambulante

não conheço nem nunca vi este personagem conhecido pela sua itinerância reconhecido por ser vagabundo do qual se diz não ser sacerdote ou sequer religioso e também que não seria psicólogo ou sequer que tivesse algum tipo de escolaridade como se fosse precisa escolaridade para conduzir a sua estranha carroça onde anunciava em letras grandes “confessionário ambulante” que atraia transeuntes pálidos primeiro acanhados depois encantados mas que o abordavam apenas nas esquinas das suas ruas

do mesmo dizia-se depois que seria demente

quase alienado e que a loucura estaria tão próxima de si como eu estive de ti por estes dias e que o seu olhar não é de solidão mas de perturbação pela proximidade de outros sejam eles quem forem o que transporta a sua consistência social para fora do limite dos urbanoides que à noite evitam as velas murmurantes pois estas incomodam-nos com as coisas que sussurram noites inteiras mas ao mesmo tempo receiam o sopro final

extraordinariamente

os ditos apesar da figura sinistra não tinham como fugir à tentação da confissão na esperança que pela sua ambulância levasse os seu pecados e segredos para longe dali deixando no seu lugar a pureza de uma mente descascada pelo que ao personagem principal agradava ouvir falar as pessoas sem olhar os seus olhos pois isso atormentava-o imenso os olhos das pessoas pelo que mantinha assim contacto directo com a voz humana e tinha-se assim especializado em tons de voz para tentar perceber a profundidade dos urbanoides descoloridos que se sentavam do outro lado do particular biombo que se abria no momento

a pigmentação do homem

o suposto vagabundo procurava então a pigmentação do homem nas palavras de alguém que não sabia quem era ou como se parecia mas que teria a capacidade de introduzir na sua alienação uma agulha que seria então o antídoto para a peçonha que ia ingerindo nos muitos anos de vida desde que tinha decidido não ser mais um urbanoide sendo neste momento óbvio neste momento que se falhasse nesta missão o veneno acabaria por o consumir

línguas mortas

dizem que a solidão tem um travo áspero capaz de arranhar a língua do homem quando este a tenta lamber na esperança de que a sua saliva seja suficiente corrosiva ou se estiveres disposto a ser insistente erosiva assim como os ventos a água ou a passagem de homens e animais por sendeiros e trilhos mesmo que seja no meio da urbe castigando os passeios e as estradas alcatroadas e quentes em dias de verão quase ao ponto de ficares com o teu pé marcado no tapete betuminoso e negro em dias luminosos o bastante para andares encandeado que não é a mesma coisa que encadeado embora por vezes eu preferisse andar encadeado nos dias luzentes do que encandeado solto pelo simples detalhe da letra n quando preferia estar preso


Invernidades

a idade do Inverno é segundo o morto a idade que o antecede isto como se fosse possível ao defunto falar do seu passado e menos ainda do seu futuro o qual esqueceu no momento seguinte ao presente passado o que convenhamos faz confusão até aos vivos embora estes tenham menos tempo livre que os mortos como é óbvio mesmo não sabendo ao certo o que vem depois da morte embora se especule acerca de um paraíso e de um inferno

Wednesday, October 17, 2007

E agora, para algo completamente diferente - O coiso



James Watson diz que os negros são menos inteligentes que os brancos

“Toda a nossa política social está baseada no facto da inteligência deles [dos africanos] ser a mesma que a nossa. Mas todas as experiências dizem que não é bem assim”, afirma, para depois acrescentar: “Quem tenha que lidar com empregados negros sabe que isto não é verdade”.

Diria eu, que já a estupidez, pela lividez do senhor na fotografia, não escolhe cor.

Para ler mais no Jornal Público

Tuesday, October 16, 2007

in Fluxo 2. [Still]


c. 2005
por sugestão do CJ

re Fluxo 2.

O homem que lava os vidro partidos do hospital
nem tem direito a um reflexo condigno.
O comboio não pára na estação e os dias
da sua mulher são longos em casas de outros.
Já noite chega a casa e ouve o cisne grasnar
Imagina-se debaixo dele e por cima das cinzas
Do seu homem entretanto morto.

Caiu.


Poema feito com base nisto.
in A Natureza do Mal

Monday, October 15, 2007

in Fluxo 1. [Still]
















c. 2005

Thursday, October 11, 2007

[Passenger] preparing weekend "3"



Ciclo Iggy Pop

Tuesday, October 9, 2007

ex Fluxo 1.

PERVERSO O SILÊNCIO - 2004

I

Uma execução pública.

O silêncio da angústia do decapitado, é interrompido, pelo ruído dos entusiastas que acorreram em massa para assistir ao espectáculo. Os mesmos de sempre. E mais alguns.

Na multidão juntam-se os ruídos contraditórios.
Os pró execução. Os anti execução.
Os que foram anti execução, mas que agora num misto de amofinação e jubilo, aguardam ansiosamente a queda da cabeça.
Estão também lá os que não tem mais nada para fazer.

Rufam os tambores e nada mais se ouve.
O machado silva no ar e este é o último som que o decapitado ouve.

Os ruídos surdos, a ausência de som, ou;
Como o silêncio pode ser perverso.

II

O bestiário, ou
- Quem nos faz mal porque deixamos.
Figuras que cortam rente os sonhos
antes de existirem.
Criaturas que nos embalam na letargia
de sentir tudo e não realizar nada.
Parasitas do medo.
Aterrorizem-se as bestas, de pânicos
com sorrisos feitos.
Morram as bestas, de morte
matada, que de morrida não padecerão.

III

Por vezes sinto-me a morrer.
Sei que sim. que morrerei um dia.
Mas por vezes sinto-me a morrer.

É nesses dias, que me apetece viver,
e fazer, e acontecer.

Por vezes os dias são pequenos. Curtos.
Os dias são todos do mesmo tamanho
mas por vezes sinto dias que me são mais curtos.

É nesses dias que me sinto vivo,
e faço, e aconteço.

A linha do horizonte.
Não consigo encurtar esse espaço entre mim,
e a linha do horizonte.

Ao alcance no mais absoluto silêncio
não quero fazê-lo
no dia da minha morte.

no mais absoluto silêncio da minha morte.

IV

O sabor de nada.
O terrível orgasmo da consciência.
O fim do poema nos pensamentos que nada valem.

V

Segue-se às palavras o desaparecimento das cidades.
- O movimento é perturbador.
Uma cadência desnecessária, retira
a imprevisibilidade dos dias.

A lembrança do dia quente emana do âmago.
O vazio, o frio, toma o seu lugar.
O que se sente, não é algo que não se ouve.

Vive-se o silêncio.
Ou morre-se com ele a embalar o leito.

Algures dentro do homem.
Algures na profundeza do ser
.

VI

A absorção. A Recordação.

A ausência da recordação, na absorção dos dias.
A procura nos bolsos, dos restos do passado recente.

A criação da ordem.
Caos.

Fabuloso delírio do futuro, nas páginas revolvidas do calendário.
Não parar nas estações. Luz, Quente, Escuro, Frio.

A criação da ordem.
Caos.

O som, não se propaga para lá dos limites
da terra. o caos extra-planetário.
Os ruídos, resultantes da criação da ordem,
vão parir, mais uma vez
o silêncio art&ficial.

VII

A metamorfose.
Ser aranha no meu próprio quarto.
Subir a um canto da parede,
na alma e na pele
tocar a lua que desejo.
A metamorfoge.

VIII

As palavras jogadas, tornam-se por vezes banais.
Ditas para descarregar um pensamento. Uma voz, um grito,
num Silêncio.
Como se este fosse um baldio.

IX

As roupas jogadas ao canto, para mais tarde apanhar.
O corpo nu, arrepiado.
Puxam-se as portadas cerrando as janelas, por onde nesgas de luz morrem no vinílico chão vermelho.
As torneiras, rodam-se. A primeira água embate espirrando no fundo.
Esta aquece e coloco-me debaixo tentando captar todo o seu calor.
Ali fico, até me esquecer.
Primeiro de tudo.
Depois do escuro.

in Perverso o Silêncio - 2004

Monday, October 8, 2007

[ Krijn Van Noordwijk ]



Ciclo Krijn Van Noordwijk

Sunday, October 7, 2007

[ Jan Svankmajer ]



tma/svetlo/tma (Darkness/Light/Darkness)

Dedicatória especial: Eles andam aí!

Ciclo Jan Svankmajer

Wednesday, October 3, 2007

in Fluxo 3.

Dos lábios da imobilidade e dos sons
da ausência surge subitamente um assobio.
Os olhos das asas das borboletas abrem-se
como o dia se inicia, longo e lento.

Ao assobio segue-se a melodia cheia sem espaços
para silêncios ou ausências de cor. Como uma angústia - Persistente.
A melodia é contudo agradável e confunde-me
rapidamente e provoca dependência como o Bolero de Ravel.

Retornando à imobilidade, dela nascem raízes e pedras mudam-se
para perto de mim a aproveitar a sombra. Por baixo delas aranhas e outros bichos

e assim se começou a construir
não a vida, mas a vida à minha volta.

Tuesday, October 2, 2007

[ An Ocean Without a Shore ]



Ciclo Bill Viola

Friday, September 28, 2007

in Fluxo 2.

A deambulação levou-me a um emaranhado
de ruas pretas - absolutamente pretas.
Na ausência de luz ausenta-se também a sombra.
Se não tem sombra, não é? O homem
que caminha por aquelas ruas pretas, não é.
Se se perder por lá, a ausência de sombra fá-lo-á
começar por definhar, até que por fim, morre.
Ser no fim, o por fim, não é uma redundância,
porque esse pode vir a meio de algo. Ali,
nas ruas pretas, adivinha-se, que o fim está próximo
e não se estão a meio de nada. A espaços
há passageiros das ruas pretas que, por oposição
ao breu, encontram um parque onde há carrosséis
e luzes, muitas luzes. Os olhos semicerrados,
uma mão a tentar tapar a entrada súbita
de luz e entre piscares de olhos, o vislumbre
de pessoas de cara fechada, lábios pretos
e olhos sombreados a preto, a andar nos carrosséis.
Muitos olhos. Muitos olhares.
Homens e mulheres com cara de bobos
e chapéus com sininhos cujo tilintar se sobrepõe à música
da Vieira, das chávenas loucas, do Merry-go-round e ecoa
irritantemente na minha cabeça. Oiço
um desses homens que anuncia:
“- Come and let yourself ride in the flying chairs,
in the flying chairs. SIT, SIT, SIT”
Sentei-me e fui.

[Where is my mind]



PS: Eramos tão magros, oh Frank Black!

Wednesday, September 26, 2007

re Fluxo 1.

A metálica imagem do mar da Costa de Santo André
ao fim do dia, é provocado pelo frio das ideias
antes dos tons laranja e quentes do crepúsculo
estou aqui hoje porque celebro
o entendimento das coisas simples.

Tuesday, September 25, 2007

[ O Broche chinês ]



Ciclo João César Monteiro

Tuesday, April 10, 2007

"A wood of love and death", 1989 - Jan Saudek



Ciclo Jan Saudek

Wednesday, April 4, 2007

in Fluxo 1.

O cão passa dois metros acima de uma fossa comum e fareja. Pensa em mais ossos do que os que julga ser possível estarem juntos e convence-se que é produto da sua imaginação. Segue.
Um pouco mais à frente há duas árvores, uma maior e outra mais pequena. A mais pequena deita-se e o homem constrói a ponte enquanto o vento vai soprando imaginados dedos da saudade. Por trás da ponte o pano de fundo é transparente e assim vê-se para além dela se quisermos.
Montam lá uma feira e às tantas já ninguém vê a ponte. Em seguida deixam de lá passar e crescem ervas e depois arbustos. Um senhor presidente decide um dia arranjar a ponte e novos acessos, arrancando assim as ervas e os arbustos. Decidem que também é preciso arrancar a árvore grande mas esta tem raízes tão fundas que escavam tudo à sua volta encontrando assim a fossa comum. Investigam e procuram o responsável pelas mortes, que descobrem mais tarde, para surpresa geral ,que era o seu nome era o mesmo que constava na placa do nome dado à ponte. Contudo o mais surpreso de todos, era de facto o cão, que não confiou nos seus instintos.

[The mercy seat]

Wednesday, March 28, 2007

[All days are strange]