Wednesday, November 11, 2009
Monday, November 9, 2009
[ desapareço num passo de magia ]
[ não estou. não sou. desapareço ou antes não estivesse estado lá. a inoquidade não é leve e transparente. é pesada, é rugosa e eu faço parte dela. o peso de um morto. a ansia de descobrir o que morreu, quem morreu em mim. afasto-me uma e outra vez ate ser possuido por um enorme cansaço. não estou. não sou. ]
[ numa madrugada de inverno um viajante ]
Wednesday, November 4, 2009
[ Definição no tempo - e o espaço ]
[ resquícios de nós é tudo o que serve de memória futura - o homem, no tempo e no espaço deixa de existir no momento seguinte. se num viajante o inverno uma noite desabasse com uma manifestação numas quaisquer oficinas desactivadas que aguardam por um futuro na arte. avante. ]
Tuesday, November 3, 2009
[ endireita-te e caminha ]
carlos veríssimo - 2009
[ O caminho direito faz-se andando não torto ou olha em frente cuidado cais que estás de pernas para o ar que é o chão dos outros que caminham no sentido contrário à chuva que escorrega pelo céu abaixo de ti há tudo e nada que basta ver com os mesmos olhos de um bêbado que é bêbado muitas das vezes porque ver turvo ou ao contrário é uma virtude ou independência ou simplesmente loucura e ser louco é ter uma ovelha atada a uma árvore e ir ]
Wednesday, October 28, 2009
[ "Porque tu és o dia porque tu és"* ]
[ sabes a jogo de futebol terminado, a canto de quintal cheio de flores, regado com aguardente, a ginjas, figos secos, nozes e muitos amigos tão inebriados como nós. depois os corpos - que roçam a incerteza da manhã seguinte como se cessássemos nos braços um do outro, e no seu prolongamento os dedos, que ainda cheiram a sexo, mesmo depois do banho. ontem, morri debaixo de ti várias vezes, com o corpo arcado tal desenho de Cruzeiro Seixas e com a cabeça no poema* de Cesariny ]
*"(...)porque tu és o dia porque tu és(...)" - in Pena Capital de Mário Cesariny
*"(...)porque tu és o dia porque tu és(...)" - in Pena Capital de Mário Cesariny
[ morre-se a tentar não respirar ]
[o suicídio é a abundância de inércia - no acto, morre-se de tentar não respirar. o afastamento dos sentidos e o crescimento do espectro sobre o ser é uma subsistência infeliz. e nem uma luz no centro da fotografia é suficiente para se ver o revoltar das ondas na baixa mar. e por fim, disitingues entre os ruidos citadinos: - Impossível é, ouvir o murmúrio da espuma branca e a água a penetrar na areia. E assim te prostras no sofá em frente à janela que olha o mundo]
Monday, October 26, 2009
[Who says that god hasn´t got a sense of humour]
http://www.telegraph.co.uk/news/6425269/The-real-climate-change-catastrophe.html
- duvido que deus exista. vamos dizê-lo assim, pelo nome, em letra pequena, para não distinguirmos pequenos e grandes. o homem existe, não temos dúvidas - a maior parte do tempo;
- a civilização este quase a existir. podemos também afirmar, com quase certeza - estavamos a poucas centenas de anos de chegar a ser uma espécie civilizada, mas não vamos chegar lá;
- somos quase inteligentes. e isto é mesmo uma certeza. seriamos de facto inteligentes se não fossemos os principais responsáveis pelo desaparecimento da nossa espécie.
a palavra foi criada pelo homem. podemos listar:
egoismo;
hipocrisia;
idiotice;
perguiça;
inércia;
e somos todos iguais. radical, só uma peste que nos levasse na totalidade.
- duvido que deus exista. vamos dizê-lo assim, pelo nome, em letra pequena, para não distinguirmos pequenos e grandes. o homem existe, não temos dúvidas - a maior parte do tempo;
- a civilização este quase a existir. podemos também afirmar, com quase certeza - estavamos a poucas centenas de anos de chegar a ser uma espécie civilizada, mas não vamos chegar lá;
- somos quase inteligentes. e isto é mesmo uma certeza. seriamos de facto inteligentes se não fossemos os principais responsáveis pelo desaparecimento da nossa espécie.
a palavra foi criada pelo homem. podemos listar:
egoismo;
hipocrisia;
idiotice;
perguiça;
inércia;
e somos todos iguais. radical, só uma peste que nos levasse na totalidade.
[nu(m) corpo luminoso]
[repouso num corpo luminoso de gin e aninho no fundo do azul da garrafa. mumbai é o meu destino e vou em busca de outros cheiros – a seios macios com auréolas escuras que apontam como uma doce ameaça, e caímos toldados nos lençóis. arrasto a torre de menagem por muitas léguas, que traguei a preceito ainda inebriado pela candura da tua pele na minha pele e da humidade quente da tua carne na minha carne. ao longe o mar ignora-nos porque é enorme e não se inquieta com os seres sem escamas. à sua amante, a sereia, inscreveu-a na areia com o cinzel de um deus, para ser consumida num derradeiro ensejo pelas carícias das ondas e eu desejei poder tocar-te assim.]
Tuesday, October 20, 2009
[vazios no escuro em névoas retidas pelo tempo]
© carlos veríssimo. 2008
[ecoa o tempo como um grito nas paredes de um corpo vazio. a velocidade toda passa por mim, como uma personagem lancinante de um filme proibido. a luz está lá atrás, de onde surgirás tal infante numa alvorada enevoada. e eu espero, sabendo que nunca virás. continua dar-me esperança e deixa-me fugir contigo todas as noites mesmo que o gelo me queime a pele]
Subscribe to:
Posts (Atom)